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Megafone #06

20/02/2012

Fanzine Megafone #06

Belém/PA
2010
8 páginas

 

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Los Angeles Zine Fest

12/02/2012

A Nature Show Production
Written and Directed by Jane Pickett
Produced and Edited by Andrew Lush
Cinematography by Jonas Sacks
Production Design by Abra Brayman
Costume Design by Kate Mallor
Music “Hard Iron Prison” by E*Rock
Cast in Order of Appearance:
Champoy
Abra Brayman
Sam Littlefield
Emily Mendelsohn
Emily Nelson
Rhea Tepplim
Simon Sotelo
Justin Streichman
Shaggy
RJ Guerra
Eban Goff
Julia Orozco

Domingo – 19 de fevereiro de 2012
http://lazinefest.com

CABRUNCO (por Márcio Sno)

09/02/2012

No mês de fevereiro
O ZINESCÓPIO COMPLETA UM ANO DE ATIVIDADE.
E para comemorar, um post antológico!!


O camarada Márcio Sno resolveu catar em sua coleção todas as edições impressas do fanzine CABRUNCO, as quais escaneou e resenhou para disponibilizar aqui, como um presente ao aniversário do Zinescópio e também uma espécie de celebração a este importante fanzine dos anos 1990.
Marca também o início das postagens de zines para download em 2012, já que até então o Zinescópio estava em maré mansa com os PDFs.


por Márcio Sno

Começo dos anos 1990. O mundo dos fanzines ia seguindo a sua vida habitual. Cada um no seu quadrado, fazendo seu protesto aqui, divulgando sua banda acolá, espalhando suas histórias em quadrinhos mais adiante… Enfim, fazendo o underground acontecer.
Tudo ia muito calmo até que Rafael Jr. e Adolfo Sá resolveram dar o seu recado por intermédio de um fanzine. Então, nascia em abril de 1995 o Cabrunco. Poderia passar batido se fosse um zine assim como os demais contemporâneos, mas essa publicação tinha alguns diferenciais.
Primeiro, por deixar de lado o habitual recorta e cola manual e partiram já, naquela época, com uma editoração mais moderna, diagramado em computador e com um visual mais clean. Bacana, né? Para a “polícia do underground” isso era uma traição inadimissível em épocas em que o computador começava a ser um item dentro das casas.
E por ser polêmico. Os editores não tinham papas nas línguas para questionar a qualidade de uma banda ou de outra publicação, assim como alimentavam e conduziam discussões de assuntos velados por uma maioria. Não tardou para também serem enquadrados nesse quesito pelos “undergroundmente corretos”.
Para ambos os casos, tocaram o foda-se e continuaram produzindo, mantendo a mesma linha editorial que se manteve (e evoluiu) nas oito edições que formam a saga desse filho bastardo de Aracaju. Por essas e por outras, tornou-se um dos zines mais significativos, respeitados e influentes do fanzinato nacional. Mesmo lançado há quase duas décadas, esse fanzine se mostra muito à frente de seu tempo até mesmo se levarmos em consideração os tempos atuais.
Durante as gravações para o documentário “Fanzineiros do Século Passado”, uma das perguntas que fiz para os entrevistados foi: “qual é o zine que você gostaria de ter feito?” Posso garantir que 70% citou este zine. E eu sempre o cito quando sou questionado.
“Isso é papo de vovô, que fica falando que na sua época era melhor”, diriam os jovens que estão se enveredando no universos dos fanzines agora. Não é. E para provar isso, em uma missão em parceria com os próprios editores do Cabrunco e o Zinescópio, consegui garimpar e escanear todas as edições do zine e disponibilizar para a posteridade!
Esse é o meu presente para o primeiro aniversário do Zinescópio e a maioridade que o Cabrunco completaria se estivesse em atividade.
Pensando bem…
Na verdade, é um presente para o fanzinato nacional!

Divirtam-se!



Cabrunco 01 – abril/maio 1995

Com as suas modestas oito páginas, o Cabrunco já chegou chutando a porta, com uma capa polêmica, feita pelo desenhista oficial do zine, Luiz Eduardo. Tem uma matéria sobre o fim dos Ramones (sim, éramos nascidos naquela época!), uma retrospectiva do rock de Sergipe, a seção de demo-tapes, Subway, e ainda a VDO que a cada edição fazia comentários sobre filmes, já que Adolfo Sá trabalhou em uma locadora de vídeos e tinha propriedade no que escrevia. Ainda tem um pequeno espaço para se falar mal de Paulo Coelho, no texto de Márcio André Andrade.

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Cabrunco 02 – junho/julho 1995

Embalados e com alguns patrocínios, dobraram a quantidade de páginas para essa segunda edição. E mais uma polêmica na capa, com uma charadinha que era uma dica do tema do zine: onanismo. Inauguram a seção de cartas, curtas e a Inquisição, que era entrevista com alguma personalidade, a estreia ficou com a banda Lacertae. Uma ótima HQ de Beto Hendrix nas páginas centrais, dão um toque especial. A seção de demos passou a se chamar Demostarre e a VDO ocupa duas páginas. Na Letrose, destaque para Thais Bezerra, uma escritora diferente.

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Cabrunco 03 – agosto/setembro 1995

O apelo sexual das primeiras capas agora dá vez para os super heróis dando uma surrupiada na grana de um jovem leitor, para anunciar a grande matéria sobre a invasão dos personagens nas telas dos cinemas. No editorial já aparecem os primeiros sinais da crítica de alguns que acusaram o zine ser “limpo”. Márcio André é promovido a “editor excepcional”. Anúncio da então nova banda de David Grohl, o Foo Fighters. Na Inquisição um bate papo rápido com Zenilton, que na época era conhecido por acompanhar os Raimundos. Estreia da seção “Los Otros”, com divulgação de fanzines. A Demostarre continua forte e na VDO agora tem fotos dos filmes. Letrose tem duas páginas dedicados a Emil Michel Cioran. Beto Hendrix fecha com uma HQ na contra-capa. A fotocópia está superior aos números anteriores.

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Cabrunco 04 – novembro/dezembro 1995

Com o preço na capa, o destaque fica para a banda Mundo Livre S/A que, por meio de Fred 04. A lista de colaboradores aumenta consideravelmente com Henry Jaepelt e Allan Sieber mostrando um pouco do muito que sabem rabiscar. Na seção de cartas polêmica com o editor do zine Sinagoga’s Butterflies. Los Outros ja conta com três páginas, demonstrando que a produção impressa daquela época crescia gradualmente. Resenhas de shows começam a aparecer, com destaque para Intercom 95.

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Cabrunco 05 – janeiro/fevereiro 1995

Uma das capas mais fodas já apresentadas na história dos zines também foi alvo de polêmicas: algumas meninas acharam que os editores estavam incentivando o machismo. Independente de qualquer coisa, a capa (que faz link com a matéria sobre o verão) é linda. Estreia de Lauro Roberto com seu personagem Leocad. Rovel também dá as graças com seu humor barato (no melhor sentido, claro!). A banda brincando de deus fala para o Inquisição. Com a chegada do CD é inaugurada a seção Discorama e a Demostarre continua cheia de títulos. Beto Hendrix continua firme e forte com uma história que dava uma beliscada na igreja. Letrose homenageia o personagem Calvin. Na VDO, Adolfo Sá mostra seus primeiros sinais de profeta, quando comenta sobre o talento do então desconhecido diretor Peter Jackson.

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Cabrunco 06 – abril/maio/junho 1995

Na edição especial de aniversário, o zine passa a ser trimestral e dá uma atenção especial aos quadrinhos, a começar pela capa (polêmica, diga-se de passagem) de Luiz Eduardo, que é o entrevistado do Inquisição, matéria com Daniel Clowes e com lindas histórias de Lauro Roberto, Marcelu Pauluk (sim um dos editores do Papakapika), Antonio Eder, Allan Sieber, André Leal, Rovel e do próprio Adolfo. Papo rápido com Marcelo D2, resenhas de shows e ainda um texto de Adelvan Barbosa (editor do Escarro Napalm) em homenagem a um ano do zine. Matéria sobre Diogo Mainardi e o lançamento do polêmico filme Kids. Curiosamente, essa foi a única edição que saiu com o nome de O Cabrunco.

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Cabrunco 07 – julho/agosto/setembro 1996

Como o zine estava com a bola toda, essa edição veio com capa vermelha em homenagem aos trash movies brasileiros, que teve uma matéria especial. A editoração já estava mais limpa e mais profissional, uma inovação para a época. Matéria sobre o Abril Pro Rock, que registrou  show de Gilberto Gil com Chico Science, o festival Acendedor de Lampiões, de Alagoas e mais os shows locais. O Lacertae cedem mais uma entrevista pro Inquisição. Luciano Irtrhum mostra uma HQ de duas páginas, em uma adaptação de Franz Kafka. A matéria sobre thrash movies está muito boa e traça bem o panorama audiovisual B da ocasião.

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Cabrunco 08 – outubro/novembro/dezembro 1996

Frank Zappa em um buraco ilustra a capa que faz a singela pergunta: “Underground vale a pena?” Essa pergunta se faz por dois motivos: pelo fato de os editores estarem de saco cheio das panelinhas e camaradagens da cena da época e também para demonstrar a dificuldade de se lançar um disco de uma banda, como é mostrado em “Independência… ou morte?” Bastante resenhas de shows como o Garage Rock e  Expo Alternative, HQs, as seções habituais e ainda entrevista com o skatista Mosquito e uma história de Joacy Jamys. A qualidade gráfica dessa edição saiu impecável, mas pena que foi a derradeira…

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Nossos agradecimentos ao Márcio Sno, ao Adolfo Sá e ao Rafael Jr.
Valeu!

Fanzineiros do Século Passado – Cap. 2 – teaser

08/02/2012

Tira gosto do documentário “Fanzineiros do Século Passado – Capítulo 2: O fanzine a serviço do rock, os fanzineiros deste século e os estímulos para a produção impressa”, dirigido por Márcio Sno.

Lançamento: 10 de março de 2012 no II Ugra Zine Fest.

Com:

Henrique Magalhães
Law Tissot
Mateus Mondini
Gazy Andraus
Pablo
Rodrigo Okuyama
Fernanda Meireles
Gualberto Costa
Job
Daniel Melim
Lauro Roberto
Thina Curtis
Douglas Utescher
Jorge du Peixe
Roger BeatJesus
Danúbio Aguiar
Rodrigo Knoeller
Leandro Márcio
Wander Wildner
Marcelo Viegas
Flávio Grão
Bacalhau Autoramas
José Salles
Edgard Guimarães
Luiza Kame
BNegão
Jamer Mello
Marcatti
Marcelo Alves
Rodrigo Lima
Jean Marin
… entre outros …

II Ugra Zine Fest

07/02/2012

Vem aí o II Ugra Zine Fest, em São Paulo!!
Uma celebração da independência e do faça-você-mesmo!

Registros do Fanzinada em Porto Alegre

16/01/2012

Na última sexta-feira, dia 13/01, aconteceu o primeiro encontro Fanzinada em Porto Alegre, com exibição de documentários, debate, exposição e distribuição de fanzines.

O evento teve a participação de Thina Curtis, Law Tissot, Daniel Villaverde e Jamer Mello, que debateram sobre os rumos das publicações impressas em meio à proliferação das redes sociais na internet, a potência da utilização de fanzines como aparato pedagógico e também sobre uma possível (e visível) efervescência dos fanzines impressos na atualidade.

Thina é arte-educadora, fanzineira e criadora do projeto Fanzinada, que visa reunir pessoas interessadas na produção de publicações alternativas, Law é um conhecido agitador do meio underground do Rio Grande do Sul, responsável pela Fanzinoteca Mutação na cidade de Rio Grande, Villaverde é colecionador de fanzines e mantém na ativa desde 2001 o selo independente Punch Drunk, e Jamer é pesquisador da estética dos fanzines e idealizador do site Zinescópio.

O evento teve grande público e gerou uma vasta discussão sobre a cultura underground no Brasil, contou com a presença de muitos fanzineiros que levaram suas publicações para distribuição/troca e também contou com presença de um público interessado em conhecer mais sobre estas publicações. Teve também a exposição de fanzines que foram colecionados durante muitos anos por Daniel Villaverde, Jamer Mello, Wender Zanon e Ali Espirito Santo, para que o público presente tivesse contato com alguns fanzines que fizeram a história das publicações alternativas e independentes do Brasil. O acervo contou com inúmeras publicações das mais diversas temáticas e das mais variadas épocas, com fanzines do início dos anos 80 até produções recentes.

Foi muito bacana.

Confira o excelente registro em vídeo feito por Law Tissot:



No dia seguinte tivemos uma segunda etapa em Campo Bom (cidade próxima a Porto Alegre) com mais Fanzinada, desta vez dentro do Verão Revolução no Centro Cultural Marcelo Breunig. Mais debate sobre fanzines, exposição “Poesia no pano” da artista Gabi Iasi Pilch e show com as bandas Manycomycos e Sistema de Mentiras.

Mantendo vivo o lema “SE NINGUÉM FAZ, FAÇAMOS!”, aguardamos as próximas edições do Fanzinada. A certeza é de que muita coisa boa envolvendo fanzines ainda está pra acontecer em 2012. Seguimos em frente!

FANZINADA em Porto Alegre!

08/01/2012

O encontro Fanzinada acontece pela primeira vez em Porto Alegre,
com exibição de documentários, debate e exposição de fanzines.



Fanzinada é um projeto criado e coordenado por Thina Curtis em São Paulo e reúne pessoas interessadas na produção de publicações alternativas. É um espaço de encontro de quem produz, lê ou tem curiosidade por fanzines, quadrinhos e cultura underground. O primeiro encontro Fanzinada aconteceu no ano passado em Santo André, no espaço cultural Gambalaia, em comemoração ao dia internacional do Fanzine (29 de abril). De lá pra cá o evento tomou força e vem acontecendo esporadicamente em diversos locais pelo Brasil e agora ganha sua primeira edição em solo gaúcho. Em sua passagem pelo Rio Grande do Sul Thina participa também do Garagem Aberta, evento que acontece dia 14/01 no Centro Cultural Marcelo Breunig em Campo Bom. O evento, organizado por Alexandre Fogo, faz parte do Verão Revolução.



- PUNK S.A.
(Documentário / Santo André-SP / 20’30’’/ 2010)
Vídeo produzido pela Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André/SP que mostra um pouco do movimento punk no ABC paulista, destacando bandas influentes do cenário underground nacional como DZK, Garotos Podres e Hino Mortal.
Realizadores: Thina Curtis, Rafael Batalhão, Ary Neto e Aline Pegorin.
Orientação: Bruno Carneiro.


- FANZINEIROS DO SÉCULO PASSADO
Capítulo 1: As dificuldades para botar o bloco na rua e a rede social analógica
(Documentário / São Paulo-SP / 31’14’’ / 2011)
Produzido por fanzineiros de todo o território nacional para tentar explicar o que é esse tal de fanzine. Totalmente sem fins lucrativos, feito somente com a força e a paixão, aquela mesma que tínhamos quando fazíamos os tais fanzines de papel! Una-se a nós!
Idealizado, coordenado e dirigido por Márcio Sno.
Trilha Sonora: Poindexter.


- DEBATE

Thina Curtis (Santo André/SP) – Fanzineira, arte-educadora, poetisa e documentarista. Editou os fanzines Violet Arcana e Sacred, colaborou com diversas outras publicações, como a revista Central Rock. Atualmente edita o fanzine Spell Work e coordena o projeto Fanzinada, trabalha com oficinas de fanzines aplicando arte-educação e utiliza os fanzines como ferramenta política e educacional.
Jamer Mello (Porto Alegre/RS) – Pesquisa cinema, arte, filosofia e a estética dos fanzines. Integra a equipe de produção do CineEsquemaNovo, é editor do Fanzine Badalhoca e idealizador do Zinescópio – biblioteca virtual de fanzines.
Daniel Villaverde (Porto Alegre/RS) – Edita e coleciona fanzines desde os anos 90. Ministra oficinas e palestras sobre publicações alternativas e circuito do rock underground. Responsável pelo Punch Drunk, selo que tem lançado discos de bandas independentes desde 2001.


REALIZAÇÃO:
Zinescópio


APOIO:
Espaço Libertário Moinho Negro
Selo Punch Drunk
Fanzinada
Spell Work Fanzine


SERVIÇO:
O quê: FANZINADA com Thina Curtis (SP) – Exibição dos documentários “Punk S.A.” e “Fanzineiros do Século Passado” + bate-papo sobre fanzines com Thina Curtis (SP), Jamer Mello e Daniel Villaverde + exposição de fanzines.
Quando: Sexta-feira – 13 de janeiro de 2012 – 20h
Onde: Espaço Libertário Moinho Negro – Rua Marcílio Dias 1463, Porto Alegre.
Quanto: grátis

O Manifesto Rozz-Tox, de Gary Panter

05/01/2012

Gary Panter é um representante da segunda geração da HQ underground norte-americana, ficou conhecido nos anos 80 com a série Jimbo e suas colaborações para as revistas Raw e Rolling Stone. Trabalhou com ilustração, pintura, publicidade e quadrinhos. Nos anos 70 e 80 Panter esteve diretamente ligado ao movimento punk e à arte underground. Produziu cartazes de shows e capas de discos (Frank Zappa, Germs, Red Hot Chili Peppers), gravou algumas faixas com a banda Residents e publicou o “Manifesto Rozz-Tox” (em 1980), um documento em formato artesanal, xerocado, indicando formas de infiltração no mainstream com ideias da cultura underground.

O camarada Ian Cichetto, em uma excelente iniciativa, traduziu o Manifesto Rozz-Tox e o publicou em seu blog.
Decidimos então reproduzir aqui no Zinescópio.

Bom proveito!

Manifesto ROZZ-TOX
Por Gary Panter / Tradução: Ian Cichetto

(um artefato de 1980 com ressonâncias do fim do milênio)

Item 1:

A vanguarda não é um único corpo. Ela simplesmente está chocada após um ataque infeliz com suas próprias pedras. Finge dormir, mas um olho brilha e uma contração involuntária no canto da boca desmente o risinho reprimido. A risadinha de alguem por chegar acordado ao seu próprio funeral coberto de um mobiliário atômico beatnik como na TV. Um mutante com uma missão.

Item 2:

Ainda restam vinte anos no século vinte. Vinte anos para colher as recompensas e calamidades que foram colocadas em movimento neste período. Neste momento, uma corrente de função estética está emergindo: a culminância inevitável de conceitos e experimentos pioneiros que foram conduzidos neste século. Nós declaramos a sociedade um parque de diversões, e que deva ser levado em consideração.

Item 3:

Uma textura e um tom mortais tomaram conta do Nirvana de cereais: um misantropo nascido de realidades cruciais, tendências, e memorandos internos de escritório. Homens de negócio sem visão posando como profissionais do entretenimento garimpam toneladas de animações sem alma para manhãs de sábado. Será que poderiam tornar rentável o gênio de borracha das manhãs de sábado de sua juventude?

Item 4:

Nós dizemos basta aos instigadores de design de game shows, por que estamos enjoados e tontos. Mostre-nos os bastidores dessas fachadas monstruosas por que mesmo os tapumes são uma textura mais saudável. Oh vocês que procuram o novo e correm assombrados através da história, direto para as garras de uma vida eterna onde nenhum barbeador elétrico pode ser feito para durar!

Item 5:

Fechem os bares! Nós exigimos centros de mídia bem iluminados que sirvam bebidas leves e leite. Nós exigimos que aquela rádio dos 40 melhores pare com isso. E isso vale para os executivos de entretenimento: Nós sabemos quando rir. As máquinas não, e é irritante ouví-las rir na hora errada. Elas riem de qualquer coisa e qualquer coisa não é engraçado.

Item 6:

Encontre os malfeitores, os caixeiros viajantes de Pavlovia que usam contra nós nossas partes que não mencionamos. Você se esconderá atrás de uma tela de seda fosforescente enquanto a biologia cobra sua recompensa?

Item 7:

Uma profunda fé no glamour é uma maneira infalível de não ver que você mata o que você come. Nós acreditamos e idolatramos um mundo bidimensional. Nenhum daqueles que imprimem deus nos salvará quando estamos nus e sem cérebro ante um descompromissada e imparcial fisicalidade. Nós estamos enjoados agora/descobrimos a mídia. Junte-se à polícia da arte. Nós desejamos que se coloquem fotos de vacas em todos os restaurantes de fast-food. E para os vegetarianos, gravações de gritos de vegetais em todas as mesas de salada.

Item 8:

Comunicação de marketing bonitos e eficientes e mídia estética não são necessariamente maus, são simplesmente sedutores.

Entretanto, estética sedutora e mídia estão inclinados a minar o senso comum e a visão numa cultura capitalista. Nossas próprias criações nos envergonham. Nos ensinar que a mão e a opinião do indivíduo não são tão legítimos quanto a opinião transmutada e inflada pela transmissão em larga escala … especialmente quando essa opinião está em 36 quilos de material envernizado e colorido … ou quando essa opinião se infiltra invisível e incompreensivelmente em uma caixa para dentro de nossos lares. Essa sociedade se deleitaria com certas variedades de vandalismo e desordem. Que possamos cortar nossa grama e continuar civilizados.

Item 9:

É uma pena e é inaceitável que aos nojentos e preguiçosos inúteis seja dado crédito indevido por proferirem tão sujos e maus clichês como “copiar e vender”. Eles não possuem nenhuma compreensão de nossa economia e do tempo que a sociedade leva para prosseguir. Admita e cale a boca! Seja o capitalismo bom ou ruim, é o rio em que todos nós nadamos ou afundamos. A inspiração sempre nasceu da recombinação.

Item 10:

Numa sociedade capitalista como esta em que vivemos, a estética como um desafio flui completa em um corpo que é feito de livre iniciativa e várias doenças. Em épocas de “boom” da arte, a arte pode ser amparada por especulações obscuras ou os excessos de economias em forma de subvenções de Estado ou apadrinhamento para descontar do imposto de renda. Atualmente nós
estamos sofrendo de uma economia apertada. Por necessidade, nós devemos nos infiltrar nas modalidades populares. Nós estamos construindo um movimento artístico baseado em negócios. Isto não é novo. Admití-lo é.

Item 11:

Negócio 1: criar uma pseudo-vanguarda que seja lucrativa. 2: criar plataformas de merchandising em meios de comunicação populares e mídia de entretenimento. 3: Garimpar exaustivamente nosso passado recente e distante atrás de ícones que devam ser relembrados: arqueologia de recombinação.

Item 12:

Procurando por caça-talentos artísticos? Não há caça-talentos artísticos. Encare isso, ninguem vai procurar por você. Estão cagando pra isso.

Item 13:

A saturação de mercado foi atingida nos anos 60 – todo mundo sabe disso. As Belas Elitistas Artes já não tem utilidade. Não compensa mais manter ou se juntar a uma estéril turma de elite.

Item 14:

Arte elitista já não pode ajudar a complexidade que surge através de sua dolorosa e potencialmente estúpida e perigosa adolescência. Inicie ou apóie a indústria primitiva, propaganda sem dogmas, jarras decorativas.

Item 15:

Lei: se você quer uma mídia melhor, vá fazê-la.

Item 16:

Nós nascemos como capitalistas e fabricantes de bens e serviços alternativos. Nós fomos feitos propagandistas e propomos uma antimídia por nenhum dogma. Apelamos para manipuladores ambientais populares, indústria primitiva, uma vanguarda situada diretamente no campo do entretenimento, para arqueólogos e sintetizadores.

Item 17:

Um apelo para a intuição mutante, e a luta-livre é real. Uma corrente que sintetiza ideias e entretenimento .. uma antimídia que cria, participa, e serve à base ampla de lunáticos e uma que seja capaz de finalizar o século definitivamente. Uma vanguarda que não tenha distrações ruins e supre o supermercado.

Item 18:

Nossa falta de popularidade no colegial nos levou a pensar e pensar nos trouxe até aqui. Nenhuma guerra é travada aqui; somente uma casta, um vírus, uma toxina, uma Rozz-Toxina. A complexidade crescente pede por somente vinte anos do seu tempo. Agora levante-se e cante…

Nota final:

O Capitalismo, para o bem ou para o mal, é o rio no qual nadamos ou afundamos, e supre o supermercado.

  • Algumas notas do tradutor (Ian Cichetto):

Os destaques no texto são meus.
Originalmente esse texto é muito mais cru e cheio de expressões coloquias, mas traduzí-las precisamente tornariam a leitura mais complexa do que deveria ser, portanto minha tradução pode fazê-lo parecer mais sério e sisudo do que é originalmente.

As partes que não fazem muito sentido também não fazem muito sentido em inglês. Também não concordo com tudo o que ele diz, mas acredito ser uma maneira inovadora (apesar do texto datar da década de 80) de tratar a questão do mercado de artes e indústria do entretenimento. Uma estratégia diferente de sobrevivência dentro da barriga do monstro do Mercado da Estética que tudo devora e incorpora. A meu ver, as academias de artes e seus neófitos cabeças feitas recém-chegados estão muito atrasados em relação a essa despretensiosa e até agora praticamente desconhecida toxina “antimídia”.

Se for utilizar a tradução, favor mencionar o tradutor.
Site oficial do Gary Panter (em inglês): http://www.garypanter.com/site/

Texto publicado originalmente no blog Ninguém Presta.

Colateral #03

09/12/2011

Fanzine Colateral #03

São Paulo/SP
Março/2003
40 páginas

 

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Coletivo WC #1

05/12/2011

Fanzine Coletivo WC #1

João Pessoa/PB
2011
8 páginas

 

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Publicação do Coletivo WC
(grupo de quadrinistas da Paraíba)

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