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CABRUNCO (por Márcio Sno)

09/02/2012

No mês de fevereiro
O ZINESCÓPIO COMPLETA UM ANO DE ATIVIDADE.
E para comemorar, um post antológico!!


O camarada Márcio Sno resolveu catar em sua coleção todas as edições impressas do fanzine CABRUNCO, as quais escaneou e resenhou para disponibilizar aqui, como um presente ao aniversário do Zinescópio e também uma espécie de celebração a este importante fanzine dos anos 1990.
Marca também o início das postagens de zines para download em 2012, já que até então o Zinescópio estava em maré mansa com os PDFs.


por Márcio Sno

Começo dos anos 1990. O mundo dos fanzines ia seguindo a sua vida habitual. Cada um no seu quadrado, fazendo seu protesto aqui, divulgando sua banda acolá, espalhando suas histórias em quadrinhos mais adiante… Enfim, fazendo o underground acontecer.
Tudo ia muito calmo até que Rafael Jr. e Adolfo Sá resolveram dar o seu recado por intermédio de um fanzine. Então, nascia em abril de 1995 o Cabrunco. Poderia passar batido se fosse um zine assim como os demais contemporâneos, mas essa publicação tinha alguns diferenciais.
Primeiro, por deixar de lado o habitual recorta e cola manual e partiram já, naquela época, com uma editoração mais moderna, diagramado em computador e com um visual mais clean. Bacana, né? Para a “polícia do underground” isso era uma traição inadimissível em épocas em que o computador começava a ser um item dentro das casas.
E por ser polêmico. Os editores não tinham papas nas línguas para questionar a qualidade de uma banda ou de outra publicação, assim como alimentavam e conduziam discussões de assuntos velados por uma maioria. Não tardou para também serem enquadrados nesse quesito pelos “undergroundmente corretos”.
Para ambos os casos, tocaram o foda-se e continuaram produzindo, mantendo a mesma linha editorial que se manteve (e evoluiu) nas oito edições que formam a saga desse filho bastardo de Aracaju. Por essas e por outras, tornou-se um dos zines mais significativos, respeitados e influentes do fanzinato nacional. Mesmo lançado há quase duas décadas, esse fanzine se mostra muito à frente de seu tempo até mesmo se levarmos em consideração os tempos atuais.
Durante as gravações para o documentário “Fanzineiros do Século Passado”, uma das perguntas que fiz para os entrevistados foi: “qual é o zine que você gostaria de ter feito?” Posso garantir que 70% citou este zine. E eu sempre o cito quando sou questionado.
“Isso é papo de vovô, que fica falando que na sua época era melhor”, diriam os jovens que estão se enveredando no universos dos fanzines agora. Não é. E para provar isso, em uma missão em parceria com os próprios editores do Cabrunco e o Zinescópio, consegui garimpar e escanear todas as edições do zine e disponibilizar para a posteridade!
Esse é o meu presente para o primeiro aniversário do Zinescópio e a maioridade que o Cabrunco completaria se estivesse em atividade.
Pensando bem…
Na verdade, é um presente para o fanzinato nacional!

Divirtam-se!



Cabrunco 01 – abril/maio 1995

Com as suas modestas oito páginas, o Cabrunco já chegou chutando a porta, com uma capa polêmica, feita pelo desenhista oficial do zine, Luiz Eduardo. Tem uma matéria sobre o fim dos Ramones (sim, éramos nascidos naquela época!), uma retrospectiva do rock de Sergipe, a seção de demo-tapes, Subway, e ainda a VDO que a cada edição fazia comentários sobre filmes, já que Adolfo Sá trabalhou em uma locadora de vídeos e tinha propriedade no que escrevia. Ainda tem um pequeno espaço para se falar mal de Paulo Coelho, no texto de Márcio André Andrade.

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Cabrunco 02 – junho/julho 1995

Embalados e com alguns patrocínios, dobraram a quantidade de páginas para essa segunda edição. E mais uma polêmica na capa, com uma charadinha que era uma dica do tema do zine: onanismo. Inauguram a seção de cartas, curtas e a Inquisição, que era entrevista com alguma personalidade, a estreia ficou com a banda Lacertae. Uma ótima HQ de Beto Hendrix nas páginas centrais, dão um toque especial. A seção de demos passou a se chamar Demostarre e a VDO ocupa duas páginas. Na Letrose, destaque para Thais Bezerra, uma escritora diferente.

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Cabrunco 03 – agosto/setembro 1995

O apelo sexual das primeiras capas agora dá vez para os super heróis dando uma surrupiada na grana de um jovem leitor, para anunciar a grande matéria sobre a invasão dos personagens nas telas dos cinemas. No editorial já aparecem os primeiros sinais da crítica de alguns que acusaram o zine ser “limpo”. Márcio André é promovido a “editor excepcional”. Anúncio da então nova banda de David Grohl, o Foo Fighters. Na Inquisição um bate papo rápido com Zenilton, que na época era conhecido por acompanhar os Raimundos. Estreia da seção “Los Otros”, com divulgação de fanzines. A Demostarre continua forte e na VDO agora tem fotos dos filmes. Letrose tem duas páginas dedicados a Emil Michel Cioran. Beto Hendrix fecha com uma HQ na contra-capa. A fotocópia está superior aos números anteriores.

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Cabrunco 04 – novembro/dezembro 1995

Com o preço na capa, o destaque fica para a banda Mundo Livre S/A que, por meio de Fred 04. A lista de colaboradores aumenta consideravelmente com Henry Jaepelt e Allan Sieber mostrando um pouco do muito que sabem rabiscar. Na seção de cartas polêmica com o editor do zine Sinagoga’s Butterflies. Los Outros ja conta com três páginas, demonstrando que a produção impressa daquela época crescia gradualmente. Resenhas de shows começam a aparecer, com destaque para Intercom 95.

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Cabrunco 05 – janeiro/fevereiro 1995

Uma das capas mais fodas já apresentadas na história dos zines também foi alvo de polêmicas: algumas meninas acharam que os editores estavam incentivando o machismo. Independente de qualquer coisa, a capa (que faz link com a matéria sobre o verão) é linda. Estreia de Lauro Roberto com seu personagem Leocad. Rovel também dá as graças com seu humor barato (no melhor sentido, claro!). A banda brincando de deus fala para o Inquisição. Com a chegada do CD é inaugurada a seção Discorama e a Demostarre continua cheia de títulos. Beto Hendrix continua firme e forte com uma história que dava uma beliscada na igreja. Letrose homenageia o personagem Calvin. Na VDO, Adolfo Sá mostra seus primeiros sinais de profeta, quando comenta sobre o talento do então desconhecido diretor Peter Jackson.

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Cabrunco 06 – abril/maio/junho 1995

Na edição especial de aniversário, o zine passa a ser trimestral e dá uma atenção especial aos quadrinhos, a começar pela capa (polêmica, diga-se de passagem) de Luiz Eduardo, que é o entrevistado do Inquisição, matéria com Daniel Clowes e com lindas histórias de Lauro Roberto, Marcelu Pauluk (sim um dos editores do Papakapika), Antonio Eder, Allan Sieber, André Leal, Rovel e do próprio Adolfo. Papo rápido com Marcelo D2, resenhas de shows e ainda um texto de Adelvan Barbosa (editor do Escarro Napalm) em homenagem a um ano do zine. Matéria sobre Diogo Mainardi e o lançamento do polêmico filme Kids. Curiosamente, essa foi a única edição que saiu com o nome de O Cabrunco.

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Cabrunco 07 – julho/agosto/setembro 1996

Como o zine estava com a bola toda, essa edição veio com capa vermelha em homenagem aos trash movies brasileiros, que teve uma matéria especial. A editoração já estava mais limpa e mais profissional, uma inovação para a época. Matéria sobre o Abril Pro Rock, que registrou  show de Gilberto Gil com Chico Science, o festival Acendedor de Lampiões, de Alagoas e mais os shows locais. O Lacertae cedem mais uma entrevista pro Inquisição. Luciano Irtrhum mostra uma HQ de duas páginas, em uma adaptação de Franz Kafka. A matéria sobre thrash movies está muito boa e traça bem o panorama audiovisual B da ocasião.

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Cabrunco 08 – outubro/novembro/dezembro 1996

Frank Zappa em um buraco ilustra a capa que faz a singela pergunta: “Underground vale a pena?” Essa pergunta se faz por dois motivos: pelo fato de os editores estarem de saco cheio das panelinhas e camaradagens da cena da época e também para demonstrar a dificuldade de se lançar um disco de uma banda, como é mostrado em “Independência… ou morte?” Bastante resenhas de shows como o Garage Rock e  Expo Alternative, HQs, as seções habituais e ainda entrevista com o skatista Mosquito e uma história de Joacy Jamys. A qualidade gráfica dessa edição saiu impecável, mas pena que foi a derradeira…

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Nossos agradecimentos ao Márcio Sno, ao Adolfo Sá e ao Rafael Jr.
Valeu!

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8 Comentários leave one →
  1. 09/02/2012 16:31

    Grande Cabrunco! Um clássico do fanzinato nacional!

  2. Rafael Jr permalink
    09/02/2012 19:27

    Caráio, valeu mermo!

  3. 09/02/2012 19:47

    Isso aqui é um serviço de utilidade publica !!!! Vou baixar e tenho certeza que me deleitarei muito relendo tudo isso !!!

  4. 09/02/2012 19:49

    Lembrando a todos que Adolfo Sá agora se encontra neste enderêço: http://www.vivalabrasa.blogpsot.com – Ah, ele agora é, vejam só, diretor da TV Educativa do Estado (TV Aperipê) atualmente. Quem quiser conhecer a emissora que tem um ex-fanzineiro no comando, acesse http://www.aperipe.com.br

  5. 09/02/2012 21:03

    Poisé… quem disse que fanzine não dá futuro? ahahaha!

  6. Alex L.C. permalink
    10/02/2012 18:49

    rafael jr do snooze?

    ih, olha o adelvan do escarro napalm e e.t.c. ali :)

  7. 11/02/2012 4:18

    Sim, estamos vivos …

  8. 24/02/2012 13:35

    Excelente postagem. Gostaria tambem que o Marcio Sno postasse as produções do Joacy James e da Grito Punk Produções, como o fanzine Sociedade dos Mutilados, por exemplo.

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